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domingo, 25 de janeiro de 2026

O Bando de Lampião: Quem Foram os Personagens Mais Temidos e Lendários do Cangaço

 

O cangaço foi um dos fenômenos sociais mais marcantes da história do Nordeste brasileiro entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Entre a seca, a miséria, a ausência do Estado e a violência dos coronéis, surgiram grupos armados que viviam à margem da lei, impondo medo, respeito e, em alguns casos, admiração popular.

Nenhum nome é mais simbólico desse período do que Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Mas o mito do “Rei do Cangaço” não foi construído sozinho. Ao seu lado esteve um grupo diverso de homens e mulheres, cada um com sua própria história, papel e destino.

Conheça agora os principais integrantes do bando de Lampião, conforme retratados na imagem.

Lampião (c. 1897–1938)

O estrategista e rei do cangaço

Virgulino Ferreira da Silva nasceu em Pernambuco e teve sua trajetória marcada por conflitos familiares, vinganças e enfrentamentos com forças policiais e coronéis locais. Extremamente inteligente, Lampião dominava estratégias de guerrilha, conhecia profundamente o sertão e utilizava o medo como arma psicológica.

Era conhecido por sua astúcia, pela disciplina rígida imposta ao bando e por um senso estético peculiar — roupas ornamentadas, chapéus de couro trabalhados e símbolos próprios. Para uns, um bandido cruel; para outros, um símbolo de resistência contra a opressão. Sua morte, em 1938, marcou o início do fim do cangaço.

Maria Bonita (c. 1911–1938)

A primeira mulher no cangaço

Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita, rompeu paradigmas ao se juntar ao bando de Lampião. Foi a primeira mulher a integrar oficialmente o cangaço, abrindo caminho para a presença feminina nos bandos armados.

Mais do que companheira, foi conselheira, símbolo de coragem e resistência feminina em um ambiente extremamente violento e masculino. Sua presença humanizou o cangaço aos olhos do imaginário popular, embora ela também tenha vivido as durezas e brutalidades da vida errante. Morreu ao lado de Lampião na emboscada de Angico.

Corisco (c. 1907–1940)

O “Diabo Loiro”

Cristino Gomes da Silva Cleto, conhecido como Corisco, foi o braço direito de Lampião e um dos cangaceiros mais temidos. Impulsivo, feroz e extremamente violento, ganhou o apelido de “Diabo Loiro” por sua aparência e comportamento explosivo.

Após a morte de Lampião, Corisco iniciou uma campanha de vingança contra as forças policiais, prolongando o cangaço por mais dois anos. Sua morte, em 1940, simbolizou o fim definitivo da era dos grandes bandos.

Dadá (c. 1915–1994)

A mulher que sobreviveu ao cangaço

Sérgia Ribeiro da Silva, conhecida como Dadá, foi companheira de Corisco e uma das mulheres mais fortes do cangaço. Diferente de muitas, participou ativamente de combates e decisões estratégicas.

Após a morte de Corisco, Dadá foi presa, torturada e mutilada, mas sobreviveu. Anos depois, tornou-se uma das principais vozes na defesa da memória do cangaço, denunciando abusos e humanizando a história dos cangaceiros.

Zé Baiano (c. 1900–1936)

O mais cruel do bando

Zé Baiano ficou marcado pela extrema violência. Conhecido por castigos brutais, especialmente contra mulheres acusadas de traição ou desobediência, tornou-se temido até dentro do próprio bando.

Sua brutalidade excessiva acabou sendo intolerável até para Lampião, que autorizou sua execução. Zé Baiano representa o lado mais sombrio e cruel do cangaço.

Volta Seca (c. 1918–1997)

O cangaceiro menino

Volta Seca entrou para o cangaço ainda criança, tornando-se o mais jovem integrante do bando. Sua história evidencia o quanto o cangaço também foi um reflexo da miséria extrema e da ausência de alternativas no sertão.

Após ser preso, foi condenado, mas posteriormente anistiado. Viveu até idade avançada, tornando-se uma das principais fontes orais sobre o cotidiano do bando.

Moderno (c. 1910–1938)

Lealdade e experiência

Moderno era conhecido por sua fidelidade a Lampião e pela experiência em confrontos armados. Discreto e eficiente, representava o perfil do cangaceiro disciplinado, essencial para a sobrevivência do grupo.

Morreu na mesma emboscada que dizimou grande parte do bando em Angico.

Quinta-Feira (c. 1905–1938)

Companheiro fiel nas batalhas

Figura constante nos confrontos, Quinta-Feira era reconhecido pela coragem e presença constante ao lado de Lampião. Como muitos outros, teve seu destino selado em Angico, vítima do cerco policial que desarticulou o cangaço.

Moreno (c. 1912–2010)

O sobrevivente longevo

Moreno foi um dos poucos cangaceiros que conseguiu sobreviver à era do cangaço e viver por muitas décadas após seu fim. Sua longa vida permitiu que testemunhasse a transformação da imagem dos cangaceiros — de criminosos a personagens históricos complexos.

Zé Sereno

Lealdade silenciosa

Zé Sereno destacou-se pela lealdade e pelo papel de apoio dentro do bando. Não era dos mais violentos nem dos mais famosos, mas foi fundamental na logística e na manutenção do grupo.

Após o fim do cangaço, também contribuiu para relatos históricos sobre o período.

Durvinha (c. 1915–2008)

A enfermeira do cangaço

Durvinha exerceu um papel vital dentro do bando: cuidar dos feridos. Em um ambiente onde doenças, ferimentos e infecções eram constantes, sua atuação salvou inúmeras vidas.

Sua história revela o lado menos conhecido do cangaço — o cuidado, a solidariedade e a sobrevivência cotidiana.

Sabino das Abóboras (c. 1890–1938)

O conselheiro experiente

Sabino era um dos líderes mais experientes do bando, respeitado por sua sabedoria e capacidade estratégica. Atuava como conselheiro e mediador, auxiliando Lampião nas decisões mais complexas.

Morreu também em Angico, encerrando uma trajetória marcada pela liderança e resistência.

Conclusão: Entre o Mito e a História

O bando de Lampião foi formado por indivíduos complexos, moldados por um sertão brutal, desigual e violento. Reduzi-los a heróis ou vilões é ignorar as nuances de um período histórico marcado pela ausência do Estado e pela lei do mais forte.

Entender quem foram esses personagens é compreender melhor o Brasil profundo, suas feridas históricas e suas contradições.





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