Blog do Fabio Jr

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domingo, 15 de fevereiro de 2026

Contos inusitados do cotidiano: Capítulo 7 — A Formiga que Recusou a Pressa

 

No formigueiro mais eficiente da região, vivia Lina.

Enquanto todas carregavam folhas maiores que o próprio corpo, Lina caminhava devagar. Observava o chão. Ajustava o peso. Parava quando precisava.

— Assim você nunca chega — diziam.

Mas Lina sempre chegava.

Não era a primeira.

Mas chegava inteira.

Certo dia, uma tempestade caiu de repente. As formigas apressadas se perderam. Cargas foram abandonadas. Caminhos desmoronaram.

Lina, que conhecia cada detalhe do percurso, se abrigou. Esperou. Recalculou.

Quando o sol voltou, foi ela quem guiou o retorno.

Lina ensinou algo simples e raro:

pressa não é sinônimo de eficiência.

Às vezes, é apenas medo disfarçado de urgência.

Encerramento provisório da primeira sequência

Esses contos não falam de animais.

Falam de escolhas.

De medo, tempo, controle, coragem, ritmo e presença.

Usam o absurdo para revelar o óbvio que evitamos enxergar.

Série completa até aqui

🧘 O Galo que Meditava

🏍️ A Galinha que Correu Mais Rápido que o Destino

🥋 O Galo que Aprendeu a Lutar sem Brigar

🌊 O Galo que Aprendeu a Surfar naquilo que Não Controla

🐟 O Peixe que Tinha Medo do Oceano

⏰ O Relógio que Decidiu Atrasar o Tempo

🐜 A Formiga que Recusou a Pressa




sábado, 14 de fevereiro de 2026

O Carnaval de São Paulo

 

O Carnaval de São Paulo, especialmente o do Grupo Especial, tem uma história rica e cheia de transformações. Embora o Rio de Janeiro seja mais conhecido mundialmente, São Paulo desenvolveu seu próprio estilo e hoje tem um dos maiores carnavais do Brasil, com escolas de samba altamente competitivas e desfiles grandiosos no Sambódromo do Anhembi.


Origens do Carnaval de São Paulo

O Carnaval paulistano tem suas raízes nos carnavais de rua do século XIX, marcados pelos cordões, ranchos e blocos que percorriam a cidade. Esses grupos eram influenciados tanto pela cultura europeia quanto pelas tradições africanas, trazidas pelos escravizados.

No início do século XX, surgiram as sociedades carnavalescas, inspiradas nas de Veneza e Paris. No entanto, as classes populares passaram a desenvolver seus próprios blocos e cordões, que deram origem às primeiras escolas de samba.


O nascimento das escolas de samba

As primeiras escolas de samba de São Paulo começaram a surgir na década de 1930 e 1940, influenciadas pelo movimento carioca. Entre os pioneiros estavam:

  • Primeira de São Paulo (fundada em 1935)
  • Lavapés (fundada em 1937)
  • Vai-Vai (originada de um grupo de capoeira no Bixiga, na década de 1930)

Apesar do crescimento do samba na cidade, durante muito tempo o carnaval paulistano ficou em segundo plano em relação ao carioca.


Organização do desfile e criação da UESP e da Liga

Em 1972, foi criada a UESP (União das Escolas de Samba Paulistanas), para organizar os desfiles de forma mais profissional. Porém, apenas em 1986, com a criação da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, é que o carnaval paulistano passou a ser tratado com mais estrutura, impulsionando o crescimento do espetáculo.

A criação da Liga ajudou na obtenção de recursos e na profissionalização das escolas, possibilitando desfiles mais grandiosos.


A construção do Sambódromo do Anhembi (1991)

Até o final da década de 1980, os desfiles aconteciam em diversas ruas e avenidas, incluindo a famosa Avenida Tiradentes. Em 1991, foi inaugurado o Sambódromo do Anhembi, projetado por Oscar Niemeyer, consolidando o desfile das escolas de samba de São Paulo em um local fixo.

O novo espaço trouxe melhorias na organização e permitiu a expansão do evento, com arquibancadas fixas e estrutura profissional para os desfiles.


A ascensão do Grupo Especial

A partir dos anos 1990, o Grupo Especial começou a se destacar cada vez mais. Escolas como Vai-Vai, Camisa Verde e Branco, Nenê de Vila Matilde, Mocidade Alegre, Rosas de Ouro, Gaviões da Fiel e X-9 Paulistana passaram a rivalizar com os grandes desfiles do Rio de Janeiro.

Nos anos 2000, as escolas elevaram o nível artístico e técnico, investindo em alegorias gigantescas, fantasias luxuosas e enredos inovadores.


Grandes momentos e campeãs históricas

O Carnaval de São Paulo teve momentos inesquecíveis ao longo das décadas. Algumas das escolas mais vitoriosas incluem:

  • Vai-Vai – Maior campeã do carnaval paulistano, com 15 títulos.
  • Nenê de Vila Matilde – Tradicional escola da Zona Leste, também muito vitoriosa.
  • Mocidade Alegre – Cresceu muito nos anos 2000 e se tornou uma potência.
  • Rosas de Ouro – Escola clássica da Zona Norte.
  • Gaviões da Fiel – Apoiada pela torcida corintiana, trouxe inovações no carnaval.
  • Império de Casa Verde – Dominou nos anos 2000, com desfiles grandiosos.
  • Mancha Verde – Ascensão meteórica nos anos 2010 e campeã de 2019 e 2022.

Entre os desfiles mais marcantes estão:

  • 1996 – Vai-Vai com “Acorda Brasil”, uma homenagem à cultura nacional.
  • 2001 – Nenê de Vila Matilde com “A marca do Zorro”, que encantou o público.
  • 2005 – Império de Casa Verde, com um desfile grandioso que inaugurou uma nova era no carnaval paulistano.
  • 2017 – Acadêmicos do Tatuapé, com uma homenagem ao Pará, conquistando seu primeiro título.
  • 2022 – Mancha Verde, contando a história do Rei Salomão de forma grandiosa.

O Carnaval de São Paulo hoje

Atualmente, o Carnaval de São Paulo é um dos maiores do Brasil, transmitido para milhões de pessoas e com um investimento cada vez maior. As escolas competem acirradamente pelo título, e a festa se tornou um dos eventos mais aguardados do calendário nacional.

A rivalidade entre as agremiações, a criatividade nos enredos e a qualidade técnica dos desfiles elevaram o nível do espetáculo, tornando o Grupo Especial paulistano um dos mais respeitados do país.




domingo, 8 de fevereiro de 2026

Contos inusitados do cotidiano: Capítulo 6 — O Relógio que Decidiu Atrasar o Tempo

 

Na parede de uma sala silenciosa, vivia um relógio chamado Augusto.

Pontual. Preciso. Respeitado.

Todos confiavam nele. Organizavam vidas, compromissos e expectativas a partir de seus ponteiros. Mas Augusto sentia algo estranho: quanto mais avançava, mais as pessoas pareciam cansadas.

Sempre correndo. Sempre atrasadas. Mesmo quando chegavam cedo.

Certo dia, Augusto fez algo imperdoável para um relógio:

atrasou um segundo.

Ninguém percebeu.

No dia seguinte, atrasou dois. Depois cinco. Depois minutos.

Curiosamente, a sala mudou. As conversas duraram mais. Os silêncios deixaram de incomodar. As pessoas respiravam fundo sem culpa.

Augusto percebeu então que o tempo não estava errado.

A relação com ele é que estava.

Nunca parou completamente. Não queria o caos.

Queria espaço.

E assim, silenciosamente, ensinou que nem todo atraso é perda. Às vezes, é respiro. Às vezes, é humanidade tentando alcançar o próprio ritmo.




domingo, 1 de fevereiro de 2026

Contos Inusitados do Cotidiano: Capítulo 5 — O Peixe que Tinha Medo do Oceano


Em um aquário amplo, limpo e perfeitamente previsível, vivia um peixe chamado Íris.

Ele tinha tudo o que precisava: comida no horário certo, paredes transparentes e nenhuma surpresa. Ainda assim, sentia um aperto estranho sempre que via, ao longe, o azul infinito do oceano.

Íris não temia a água.

Temia a imensidão.

O oceano era grande demais. Profundo demais. Livre demais.

— Aqui estou seguro — repetia para si mesmo, enquanto nadava em círculos conhecidos.

Até o dia em que uma fissura surgiu no vidro.

Nada dramático. Apenas uma linha fina.

Mas suficiente para deixar a água do mundo entrar.

O medo veio primeiro. Depois a curiosidade.

Íris se aproximou. Olhou além. Viu correntes, sombras, vida pulsando em ritmos que ele nunca aprendera.

E então, sem aviso, o vidro cedeu.

O oceano o engoliu.

Houve pânico. Desorientação. Silêncio interno.

Mas algo curioso aconteceu: Íris não se perdeu. O corpo lembrava o que a mente temia esquecer.

Nadou.

Não perfeitamente. Não com coragem absoluta.

Mas nadou.

E entendeu, finalmente, que o aquário nunca o protegeu — apenas o limitou. O oceano não era ameaça. Era possibilidade.

Desde então, dizem que Íris ainda sente medo.

Mas aprendeu que crescer não é perder o medo…

é não permitir que ele decida por você.