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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Por que gigantes brasileiras como Renner, C&A, Lupo e JBS estão transferindo sua produção para o Paraguai?


O cenário fabril da América do Sul passa por uma reformulação silenciosa, mas profunda. Um número crescente de marcas e indústrias de grande porte que operam no Brasil vem transferindo fatias relevantes de suas operações para o Paraguai.

Dados do governo paraguaio mostram que mais de 230 empresas de origem brasileira já produzem em solo vizinho. Redes varejistas e indústrias têxteis como Lupo, Karsten, Riachuelo, Grupo Lunelli e fornecedoras que atendem Renner, C&A e Carrefour lideram essa migração, acompanhadas por gigantes de outros setores como JBS, BRF, Camil e Brinquedos Estrela.

O Motor da Migração: Entenda a Lei de Maquila

O principal catalisador dessa transferência de infraestrutura é o regime de Maquila. Esse incentivo fiscal permite que empresas estrangeiras importem matéria-prima, máquinas e insumos com isenção total de impostos, processem os produtos no Paraguai e os exportem novamente.

O ganho financeiro:

  • Encargos Tributários e Trabalhistas: Sob a Lei de Maquila, o custo médio tributário e de encargos no Paraguai fica em torno de 12%, contra uma média de 80% incidentes sobre a produção no Brasil.
  • Regime Fora da Maquila ("Triplo 10"): Para empresas que atuam no mercado interno paraguaio, a alíquota é simplificada em 10% de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), 10% de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) e 10% de IVA (Imposto sobre Valor Agregado).
  • Energia Elétrica Abundante e Barata: Movidas pela usina binacional de Itaipu, as indústrias instaladas no país chegam a pagar até 60% menos na conta de luz se comparado às tarifas brasileiras.

Quem São as Gigantes que Já Cruzaram a Fronteira?

A lista de empresas brasileiras com operação produtiva no Paraguai abrange desde confecção rápida (fast-fashion) até agroindústria e metalurgia.

Empresa / GrupoSetorModelo de Atuação no Paraguai
Renner, C&A, RiachueloVarejo de ModaParcerias de produção via indústrias terceirizadas no país (ex: Texcin)
LupoTêxtil / VestuárioPlanta fabril própria dedicada à produção e exportação
KarstenCama, Mesa e BanhoUnidade fabril focada na produção de toalhas e tecidos
JBSProteína Animal / AlimentosInvestimentos em novas plantas e unidades de processamento
BRF & CamilAgroindústria / AlimentosAtuação por meio de aquisições de empresas locais (ex: Hercosul e Rice Paraguai)
EstrelaBrinquedosUnidade de fabricação e montagem direcionada ao mercado sul-americano

Além do setor têxtil — que representa cerca de 38% de todas as maquiladoras brasileiras —, os setores de peças automotivas, embalagens plásticas, farmacêutica e alumínio também somam dezenas de fábricas no país.

Impactos Econômicos: O Brasil Perde, o Paraguai Ganha

Para a economia paraguaia, esse movimento impulsiona a industrialização e a geração de empregos formais, além de diversificar uma matriz produtiva historicamente focada apenas na agricultura. Estima-se que as maquiladoras de origem brasileira já tenham gerado mais de 25 mil empregos diretos no Paraguai.

Para a indústria brasileira, o avanço acende um alerta sobre competitividade. Enquanto o Brasil enfrenta discussões sobre reforma tributária, custo da taxa de juros e custos trabalhistas da CLT, a proximidade geográfica de cidades como Ciudad del Este e Hernandarias transforma o Paraguai na "China da América Latina" — uma extensão produtiva a poucos quilômetros da fronteira.







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