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sábado, 6 de junho de 2026

A Seleção Brasileira de 1970: O Time Que Fez o Mundo se Apaixonar Pelo Futebol

 

O Time Que Virou Lenda

Poucas equipes esportivas conseguiram alcançar um status tão mítico quanto a Seleção Brasileira de 1970. Mais do que campeã mundial, aquela equipe se transformou em um símbolo da excelência no futebol. Mais de meio século depois, seus jogadores continuam sendo estudados, admirados e comparados a qualquer grande seleção que surge.

Quando o Brasil desembarcou no México para disputar a Copa do Mundo de 1970, o país ainda carregava as cicatrizes da dolorosa eliminação para Portugal em 1966. Muitos acreditavam que a era dourada do futebol brasileiro havia acabado.

Mas estavam completamente enganados.

Sob o comando do técnico Mário Zagallo, surgiu uma equipe capaz de unir técnica, inteligência, criatividade e eficiência de maneira quase perfeita.

A Primeira Copa Transmitida em Cores

A Copa de 1970 foi histórica por vários motivos.

Foi a primeira edição transmitida mundialmente em cores, permitindo que milhões de pessoas assistissem ao espetáculo brasileiro em suas televisões.

As imagens da camisa amarela, dos gramados mexicanos e dos dribles mágicos de Pelé ajudaram a consolidar a identidade visual do futebol brasileiro perante o mundo.

Muitos historiadores afirmam que parte da fama global daquela seleção nasceu justamente porque ela foi a primeira grande equipe da era da televisão moderna.

Os Donos da Camisa Amarela

Goleiros

Félix Miéli Venerando – Fluminense

Ado – Corinthians

Emerson Leão – Palmeiras

Defensores

Carlos Alberto Torres – Santos

Zé Maria – Portuguesa

Marco Antônio – Fluminense

Everaldo Marques da Silva – Grêmio

Brito – Flamengo

Baldocchi – Palmeiras

Fontana – Cruzeiro

Joel Camargo – Santos

Wilson Piazza – Cruzeiro

Meio-campistas

Clodoaldo – Santos

Gérson – São Paulo

Roberto Rivellino – Corinthians

Paulo Cézar Caju – Botafogo

Atacantes

Jairzinho – Botafogo

Tostão – Cruzeiro

Pelé – Santos

Roberto Miranda – Botafogo

Edu – Santos

Dadá Maravilha – Atlético Mineiro

O Ataque Mais Temido da História

Imagine uma seleção com:

Pelé

Tostão

Jairzinho

Rivellino

Gérson

Hoje seria como reunir os maiores craques do planeta no auge da carreira.

O mais impressionante é que todos eles usavam a camisa 10 em seus clubes ou tinham características de armadores.

Muitos jornalistas da época afirmavam que era impossível colocar tantos gênios juntos sem comprometer o equilíbrio do time.

Zagallo provou o contrário.

Jairzinho: O Homem Que Marcou em Todos os Jogos

Um dos recordes mais impressionantes da história das Copas pertence a Jairzinho.

Ele marcou gols em todas as partidas disputadas pelo Brasil:

Tchecoslováquia

Inglaterra

Romênia

Peru

Uruguai

Itália

Seis jogos.

Seis gols.

Até hoje ele permanece como o único jogador da história a marcar em todos os jogos de uma campanha campeã mundial.

O Gol Mais Bonito Que Não Entrou

Na semifinal contra o Uruguai aconteceu um lance considerado por muitos o mais genial da carreira de Pelé.

Ao receber um lançamento, ele percebeu que o goleiro havia saído do gol.

Sem tocar na bola, deixou-a passar por um lado e correu pelo outro, enganando completamente o adversário.

O estádio inteiro ficou em silêncio.

Pelé finalizou.

A bola passou raspando a trave.

Se aquele gol tivesse entrado, provavelmente seria lembrado como o mais bonito da história das Copas.

A Final Contra a Itália

Em 21 de junho de 1970, o Brasil enfrentou a poderosa seleção italiana.

A partida terminou em 4 a 1.

Os gols brasileiros foram marcados por:

Pelé

Gérson

Jairzinho

Carlos Alberto Torres

O quarto gol é considerado por muitos especialistas o gol coletivo mais bonito da história das Copas.

A jogada teve trocas de passes precisas envolvendo Clodoaldo, Rivellino, Jairzinho, Pelé e Carlos Alberto.

Quando o capitão acertou o chute cruzado no canto do goleiro italiano, o mundo testemunhou um dos momentos mais perfeitos já produzidos pelo futebol.

A Conquista Definitiva da Taça Jules Rimet

Pouca gente sabe disso.

Naquele tempo, existia uma regra especial:

Qualquer país que conquistasse três Copas do Mundo ficaria definitivamente com a Taça Jules Rimet.

O Brasil já havia vencido:

1958

1962

Ao conquistar o título de 1970, tornou-se proprietário permanente do troféu mais cobiçado do futebol mundial.

Nenhuma outra seleção conseguiu isso.

Os Números da Campanha

Jogos

6

Vitórias

6

Derrotas

0

Gols Marcados

19

Gols Sofridos

7

Aproveitamento

100%

Artilheiro Brasileiro

Jairzinho – 7 gols (incluindo eliminatórias e fase final da campanha internacional daquele ciclo)

Melhor Jogador

Pelé

Por Que a Seleção de 1970 Continua Sendo Reverenciada?

A resposta vai além dos títulos.

Aquele time jogava bonito.

Transformava partidas difíceis em espetáculos.

Misturava talento individual com inteligência coletiva.

Muitos campeões surgiram depois dela. Grandes seleções apareceram nas décadas seguintes.

Mas poucas conseguiram algo tão raro: vencer e encantar ao mesmo tempo.

Por isso, quando se fala na maior seleção de todos os tempos, o debate normalmente termina no mesmo lugar.

Naquele grupo de homens que, sob o sol mexicano de 1970, mostrou ao mundo o que acontece quando o futebol se aproxima da arte.


 


João Saldanha: O Homem que Desafiou Presidentes, Revolucionou o Futebol e Marcou a História do Brasil

 

O jornalista que enfrentou o poder e mudou o rumo do futebol brasileiro

Poucos brasileiros conseguiram deixar marcas tão profundas em áreas tão diferentes quanto João Saldanha. Jornalista, comentarista esportivo, militante político, técnico da Seleção Brasileira e um dos personagens mais autênticos da história nacional, Saldanha foi um homem que jamais teve medo de dizer o que pensava.

Sua trajetória mistura política, futebol, jornalismo e coragem em uma época em que falar o que se pensava poderia custar muito caro.

Conhecer a história de João Saldanha é entender um capítulo fascinante do Brasil do século XX.

Quem foi João Saldanha?

João Saldanha nasceu em 3 de julho de 1917, na cidade de Alegrete.

Filho de uma família ligada à política regional, cresceu em meio a debates intensos sobre os rumos do país. Desde cedo demonstrava personalidade forte, espírito crítico e uma enorme capacidade de liderança.

Ao mudar-se para o Rio de Janeiro, iniciou uma trajetória que o transformaria em um dos jornalistas mais respeitados do Brasil.

Mas sua vida estava longe de seguir um caminho comum.

O militante político que enfrentou a ditadura

Muito antes de se tornar famoso no futebol, João Saldanha já era conhecido por sua atuação política.

Foi membro do Partido Comunista Brasileiro em uma época marcada por forte polarização ideológica.

Durante os anos de perseguição política, viveu sob vigilância constante das autoridades. Seu posicionamento crítico o colocou em rota de colisão com governos e instituições poderosas.

Diferentemente de muitos intelectuais da época, Saldanha nunca escondeu suas convicções.

Essa postura lhe trouxe problemas, mas também construiu sua reputação como alguém incapaz de se curvar diante do poder.

O episódio que virou lenda: o encontro com um presidente

Uma das histórias mais famosas envolvendo João Saldanha aconteceu em 1970.

Naquele ano, ele era o técnico da Seleção Brasileira e preparava a equipe para a Copa do Mundo.

O então presidente do Brasil, Emílio Garrastazu Médici, teria sugerido a convocação de determinados jogadores.

A resposta de Saldanha entrou para a história.

Segundo relatos amplamente divulgados ao longo dos anos, ele respondeu:

"O presidente escala os ministros dele, eu escalo a Seleção."

A frase tornou-se símbolo de independência e resistência à interferência política.

Embora existam debates sobre a forma exata como o episódio ocorreu, a história consolidou a imagem de Saldanha como alguém que não aceitava pressões.

O homem que montou a Seleção de 1970

Existe uma curiosidade que muita gente desconhece.

Embora tenha sido Mário Zagallo quem levantou a taça da Copa do Mundo de 1970, grande parte da estrutura do time campeão foi construída por João Saldanha.

Foi ele quem deu sequência à formação que reunia talentos extraordinários como:

Pelé

Jairzinho

Tostão

Gérson

Rivelino

Carlos Alberto Torres

Sob seu comando, a Seleção venceu todos os jogos das Eliminatórias para a Copa do Mundo.

Foram seis vitórias em seis partidas.

Um aproveitamento perfeito.

Mesmo assim, acabou afastado poucos meses antes do Mundial.

Por que João Saldanha foi demitido?

Esta é uma das maiores polêmicas da história do futebol brasileiro.

As razões exatas continuam sendo discutidas até hoje.

Entre os fatores apontados por historiadores e jornalistas estão:

Divergências com dirigentes.

Conflitos com jogadores.

Sua postura independente.

Questões políticas ligadas ao contexto da ditadura militar.

O fato é que sua saída ocorreu quando a Seleção atravessava excelente momento.

O episódio alimenta debates até os dias atuais.

Muitos acreditam que ele poderia ter sido campeão do mundo caso tivesse permanecido no cargo.

O "João Sem Medo"

No meio jornalístico, João Saldanha ganhou fama por sua sinceridade brutal.

Ele não fazia concessões.

Não poupava dirigentes, políticos, cartolas ou jogadores.

Quando considerava algo errado, falava publicamente.

Essa característica lhe rendeu admiradores apaixonados e críticos igualmente intensos.

Mas também o transformou em um dos comentaristas esportivos mais respeitados da televisão brasileira.

Curiosidades pouco conhecidas

Participou de conflitos armados

Pouca gente sabe, mas Saldanha teve envolvimento em episódios armados ligados às disputas políticas de sua época.

Sua vida foi marcada por acontecimentos muito mais intensos do que a maioria dos jornalistas brasileiros viveu.

Era amigo de grandes intelectuais

Ao longo da vida, conviveu com escritores, jornalistas e líderes políticos influentes.

Seu círculo de amizades incluía figuras importantes da cultura brasileira.

Botafoguense apaixonado

João Saldanha tinha uma ligação histórica com o Botafogo de Futebol e Regatas.

Foi treinador do clube e participou de uma das fases mais brilhantes da equipe.

Seu nome permanece associado à identidade combativa do Botafogo.

Comentava futebol como poucos

Sua capacidade de análise impressionava até adversários.

Ele conseguia explicar aspectos táticos complexos de forma simples e acessível.

Muitos dos comentaristas modernos utilizam conceitos que ele já apresentava décadas atrás.

O legado que permanece vivo

João Saldanha não foi apenas um técnico de futebol.

Não foi apenas um jornalista.

Não foi apenas um militante político.

Foi um personagem raro que atravessou algumas das fases mais turbulentas da história brasileira sem abrir mão de suas convicções.

Seu legado permanece vivo em três áreas fundamentais:

No futebol

Ajudou a construir a base da maior Seleção Brasileira de todos os tempos.

No jornalismo

Mostrou que opinião forte e independência podem caminhar juntas.

Na política

Representou uma geração que acreditava na participação ativa e no debate público.

Conclusão

A história de João Saldanha é a história de um homem que se recusava a seguir roteiros prontos.

Enquanto muitos buscavam agradar aos poderosos, ele preferia confrontá-los.

Enquanto outros mudavam de discurso conforme a conveniência, ele mantinha suas posições.

Por isso, décadas após sua morte em 1990, João Saldanha continua despertando admiração, controvérsia e curiosidade.

Em um país que frequentemente valoriza a diplomacia e o silêncio, ele ficou conhecido justamente pelo oposto: a coragem de falar o que pensava, custasse o que custasse.

E talvez seja exatamente por isso que sua história continua tão fascinante.