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sábado, 10 de outubro de 2026

USINA HENRY BORDEN: 100 ANOS DE ENERGIA, ENGENHARIA E HISTÓRIA QUE AJUDARAM A CONSTRUIR SÃO PAULO

 

Um século transformando a força da Serra do Mar em desenvolvimento. A história de uma obra monumental que conectou água, tecnologia, indústria e o futuro de um dos maiores centros econômicos da América Latina.

Por Fabio Inocente | Blog Inocente’s — Gestão, Logística & Tecnologia

10 de outubro de 2026. Há datas que merecem mais do que uma comemoração: merecem ser compreendidas. Neste sábado, a Usina Hidrelétrica Henry Borden, localizada em Cubatão, na Baixada Santista, completa 100 anos de operação. Inaugurada em 10 de outubro de 1926, a usina atravessou gerações, transformações econômicas, crises, guerras, mudanças tecnológicas e diferentes fases do desenvolvimento brasileiro.

Sua história não se resume à produção de eletricidade. Ela se confunde com a expansão industrial de São Paulo, com a modernização da infraestrutura nacional e com a capacidade humana de transformar características naturais em soluções de engenharia.

Aos pés da Serra do Mar, suas tubulações e instalações representam muito mais do que uma estrutura energética: simbolizam uma época em que o crescimento de São Paulo exigia respostas ousadas para desafios que pareciam superar os limites tecnológicos daquele tempo.

Cem anos depois, a pergunta continua atual: como uma obra concebida no início do século XX conseguiu atravessar um século e permanecer relevante para o sistema elétrico brasileiro?

Para entender a resposta, precisamos voltar ao período em que São Paulo começava a se transformar em uma potência industrial.


1. São Paulo antes da Henry Borden: uma metrópole que precisava de energia

No início do século XX, a cidade de São Paulo vivia uma transformação acelerada.

O crescimento populacional, a expansão das linhas de transporte elétrico, o surgimento de fábricas e o desenvolvimento das atividades comerciais aumentavam continuamente a necessidade de eletricidade.

A industrialização dependia de energia para movimentar máquinas, iluminar instalações, operar equipamentos e sustentar uma economia cada vez mais urbana.

Entretanto, produzir eletricidade em quantidade suficiente era um desafio.

A infraestrutura existente enfrentava limitações justamente quando a demanda crescia. A situação ficou especialmente delicada em 1924, quando uma forte estiagem comprometeu a geração de energia e obrigou o sistema elétrico a enfrentar restrições no abastecimento.

A crise revelou uma questão fundamental: o crescimento econômico de São Paulo dependeria da capacidade de construir uma infraestrutura energética compatível com suas ambições.

Não bastava instalar mais máquinas nas fábricas. Era necessário criar condições para que elas funcionassem.

Foi nesse cenário que ganhou força um dos projetos de engenharia mais ambiciosos da história paulista: aproveitar o enorme desnível da Serra do Mar para gerar eletricidade.

A ideia era tão simples de explicar quanto complexa de executar. A água armazenada em regiões elevadas poderia descer por grandes condutos, ganhar velocidade e movimentar turbinas instaladas em uma cota muito inferior.

A natureza oferecia o desnível. A engenharia precisava transformar essa vantagem geográfica em energia utilizável.

E foi assim que começou a história da Usina de Cubatão, posteriormente batizada de Henry Borden.

2. Quem foi Henry Borden?

O nome da usina costuma despertar uma curiosidade: quem foi Henry Borden e qual foi sua participação nesse emspreendimento?

Henry Borden foi um executivo canadense ligado à trajetória da companhia Brazilian Traction, Light and Power, conhecida no Brasil como Light. Ele ocupou a presidência da organização a partir de 1946 e teve uma longa atuação na administração do grupo.

É importante esclarecer um detalhe histórico: Henry Borden não foi o engenheiro responsável pelo projeto original da usina.

O empreendimento começou a operar em 1926, duas décadas antes de sua chegada à presidência da Light. A denominação Henry Borden foi adotada em 1964, em homenagem ao executivo que marcou a trajetória da companhia.

O planejamento técnico do chamado Projeto da Serra esteve associado principalmente ao engenheiro norte-americano Asa White Kenney Billings, que estudou o aproveitamento hidrelétrico da região e participou da concepção e execução das obras.

Essa distinção é importante porque a história de grandes realizações costuma reunir personagens diferentes: aqueles que idealizam, os que projetam, os que financiam, os que administram e, sobretudo, os que colocam a obra de pé.

A Henry Borden é resultado desse conjunto de competências.

Seu nome passou a representar um patrimônio de engenharia cuja construção envolveu planejamento, conhecimento técnico, recursos financeiros e o trabalho de milhares de pessoas.

3. O Projeto da Serra: uma solução monumental

A construção da usina integrou um empreendimento muito maior do que uma simples casa de força.

O chamado Projeto da Serra envolveu reservatórios, barragens, canais, estruturas de bombeamento, túneis e condutos responsáveis por conduzir a água até as turbinas.

Entre as estruturas associadas a esse sistema estão a represa Billings, o reservatório do Rio das Pedras e o complexo de circulação de águas que permitiu aproveitar o desnível entre o planalto paulista e a Baixada Santista.

A lógica do projeto era aproveitar uma característica geográfica extraordinária: a Serra do Mar apresenta um desnível de aproximadamente 720 metros na região utilizada pela usina.

Em vez de depender exclusivamente da construção de barragens em rios com grandes vazões naturais, os responsáveis pelo empreendimento utilizaram a diferença de altitude para criar condições favoráveis à geração de energia.

A água percorre estruturas de condução e chega às turbinas com pressão suficiente para movimentar os equipamentos geradores.

O resultado é uma combinação de geografia, hidráulica, mecânica e engenharia elétrica.

Mas a grandiosidade do projeto não estava apenas em sua concepção.

Construir em uma região montanhosa, com dificuldades de acesso, condições ambientais desafiadoras e limitações tecnológicas próprias da época exigiu uma mobilização extraordinária de recursos e mão de obra.

Segundo a apresentação histórica da EMAE dedicada ao centenário, mais de seis mil trabalhadores participaram da construção.

Por trás de cada estrutura de concreto, cada túnel e cada conduto metálico existia uma operação de engenharia que precisava funcionar de maneira integrada.

Era, em muitos aspectos, um gigantesco projeto de infraestrutura executado em uma época na qual os recursos de planejamento, comunicação e controle eram muito diferentes dos disponíveis atualmente.

4. 10 de outubro de 1926: o início de uma nova era

Em 10 de outubro de 1926, entrou em operação a primeira unidade geradora da então Usina de Cubatão.

O acontecimento representou um avanço importante para o sistema elétrico paulista, que precisava acompanhar o crescimento da capital e de sua atividade industrial.

Naquele momento, a usina figurava entre os empreendimentos hidrelétricos mais importantes do país e chegou a ser a maior do Brasil.

Sua implantação ajudou a ampliar a oferta de energia em uma fase decisiva da transformação econômica paulista.

A eletricidade tornou-se um dos elementos essenciais para sustentar o crescimento de fábricas, transportes, estabelecimentos comerciais e áreas urbanas.

A Henry Borden não criou sozinha a industrialização de São Paulo, naturalmente. Esse processo também dependeu de capital, mão de obra, ferrovias, rodovias, portos, mercados consumidores e políticas econômicas.

Entretanto, ofereceu algo sem o qual grande parte dessa expansão seria mais difícil: capacidade de geração elétrica em escala.

A história da usina mostra que o desenvolvimento econômico não depende apenas de ideias ou investimentos isolados. Depende também da infraestrutura que permite transformar essas ideias em produção.

5. Como funciona a usina que aproveita a queda da Serra do Mar?

A Henry Borden impressiona pela forma como utiliza o relevo para produzir energia.

O complexo é composto por duas usinas: uma externa e outra subterrânea.

Juntas, elas possuem 14 grupos geradores e capacidade instalada total de 889 megawatts (MW), conforme os dados técnicos divulgados pela EMAE.

Para compreender a dimensão desse número, vale lembrar que a capacidade instalada representa o potencial máximo de geração dos equipamentos, e não a quantidade de energia efetivamente produzida de maneira contínua.

A geração real depende das condições operacionais, da disponibilidade de água e das regras que disciplinam o uso dos recursos hídricos.

A força dos 720 metros

A água é conduzida do reservatório do Rio das Pedras por estruturas que aproveitam a grande diferença de altitude até a usina, em Cubatão.

Ao descer pelos condutos, a água chega às turbinas com elevada pressão. O movimento das turbinas aciona os geradores, que convertem energia mecânica em eletricidade.

O complexo utiliza turbinas do tipo Pelton, especialmente adequadas para situações de grande queda e jatos de água de alta velocidade.

É uma solução de engenharia que aproveita a geografia de maneira eficiente.

A usina externa

A unidade externa reúne oito grupos geradores, instalados em uma casa de força convencional. Suas primeiras máquinas começaram a operar em 1926, e outras unidades foram incorporadas ao longo das décadas seguintes.

A usina subterrânea

A expansão do complexo levou à construção de uma segunda unidade no interior da rocha da Serra do Mar.

A usina subterrânea começou a operar em 1956 e reúne seis grupos geradores. Sua casa de força foi instalada em uma grande caverna escavada no maciço rochoso.

A solução demonstra como a engenharia foi capaz de ampliar o aproveitamento energético da região, utilizando o espaço subterrâneo para instalar equipamentos de grande porte.

É difícil imaginar a dimensão desse trabalho sem considerar as condições de construção, os sistemas de ventilação, o transporte de equipamentos e a precisão exigida para instalar máquinas tão complexas no interior da montanha.

6. A energia que ajudou a transformar São Paulo

Para compreender a importância histórica da Henry Borden, é necessário olhar para além de suas turbinas.

Ao longo do século XX, São Paulo se consolidou como um dos principais centros industriais do Brasil. A expansão de atividades metalúrgicas, químicas, têxteis, alimentícias e de diversos outros setores aumentou a necessidade de energia confiável.

Uma infraestrutura elétrica mais robusta contribuiu para criar condições favoráveis a esse crescimento.

A energia movimentava equipamentos, iluminava fábricas, sustentava sistemas de transporte e permitia ampliar a produção.

O desenvolvimento urbano também dependia de eletricidade. À medida que cidades cresciam, aumentavam as necessidades de iluminação, serviços, comércio e infraestrutura pública.

Nesse contexto, a Henry Borden foi parte de uma transformação estrutural.

Sua importância não deve ser medida somente pela quantidade de megawatts que poderia produzir, mas também pelo papel que desempenhou em um momento no qual o sistema elétrico paulista precisava acompanhar uma economia em rápida expansão.

A usina integra a história de um estado que passou a concentrar atividades industriais, financeiras, logísticas e tecnológicas fundamentais para o país.

A eletricidade não explica sozinha essa trajetória, mas é impossível compreender o crescimento de uma economia industrial sem considerar sua infraestrutura energética.

Antes de existir uma fábrica moderna, uma rede logística eficiente ou um grande centro de distribuição, é necessário que exista uma estrutura capaz de sustentar suas operações.

A Henry Borden representa uma das grandes expressões históricas dessa necessidade.

7. A ligação entre a usina, a indústria de Cubatão e o Porto de Santos

A localização da Henry Borden não é um detalhe geográfico sem importância.

Cubatão está situada em uma região estratégica entre a capital paulista, a Baixada Santista e o Porto de Santos, um dos principais corredores de comércio exterior do Brasil.

Ao longo do século XX, a região desenvolveu um importante parque industrial, com atividades químicas, petroquímicas, siderúrgicas e de outros segmentos produtivos.

A disponibilidade de infraestrutura energética foi um dos fatores relevantes para o desenvolvimento industrial, ao lado de outros elementos, como o acesso ao porto, as ligações rodoviárias e ferroviárias, a proximidade do mercado consumidor e os investimentos produtivos.

Essa conexão permite observar a história da Henry Borden também pela perspectiva da logística.

Energia, indústria, transporte e armazenagem formam partes de uma mesma cadeia de desenvolvimento.

A energia alimenta processos industriais. A indústria gera mercadorias. Rodovias, ferrovias e portos permitem movimentar matérias-primas e produtos acabados. Centros de distribuição conectam a produção ao mercado consumidor.

Quando uma dessas estruturas apresenta limitações, toda a cadeia pode sofrer consequências.

É por isso que grandes projetos de infraestrutura precisam ser compreendidos de forma integrada.

A história da Henry Borden oferece uma lição que continua válida para gestores públicos, engenheiros, profissionais de logística e executivos: a competitividade de uma região depende da qualidade e da integração de sua infraestrutura.

8. A outra face do progresso: água, cidade e meio ambiente

Nenhuma análise histórica completa deve apresentar grandes obras apenas por seus benefícios.

O Projeto da Serra transformou profundamente a relação entre a água, a geração de energia e a ocupação urbana da região metropolitana de São Paulo.

O sistema de reservatórios, canais e bombeamento foi concebido para atender às necessidades energéticas de uma metrópole em crescimento. Entretanto, a reversão de águas do sistema do rio Pinheiros para a represa Billings também se relacionou com o problema da poluição hídrica na região metropolitana.

Ao longo do tempo, o aumento da urbanização e a degradação da qualidade da água tornaram mais complexa a utilização desses recursos.

Desde 1992, restrições operacionais passaram a limitar o bombeamento das águas do rio Pinheiros para o reservatório Billings, com exceções relacionadas ao controle de cheias e às condições estabelecidas pelas normas aplicáveis.

Essas limitações reduziram significativamente as possibilidades de geração da Henry Borden em relação ao seu potencial instalado.

O caso demonstra um desafio central da infraestrutura moderna: uma solução tecnicamente eficiente pode enfrentar limites quando precisa conciliar diferentes necessidades sociais e ambientais.

A água é essencial para gerar energia, mas também é indispensável para o abastecimento humano, a preservação dos ecossistemas e a qualidade de vida das populações.

O desenvolvimento do século XXI exige que essas necessidades sejam consideradas de maneira conjunta.

A história da usina, portanto, também nos convida a refletir sobre o planejamento urbano, a gestão dos recursos hídricos, o saneamento e a responsabilidade ambiental.

O verdadeiro progresso não deve ser avaliado apenas pelo que uma obra consegue produzir, mas também por sua capacidade de coexistir com as necessidades das pessoas e do ambiente ao longo do tempo.

9. 1932: quando a usina foi atingida pela história

A Henry Borden também atravessou períodos de instabilidade política.

Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, a infraestrutura da usina foi atingida por bombardeios, em um episódio que evidencia como instalações estratégicas podem se tornar vulneráveis durante conflitos.

O acontecimento é um lembrete de que a infraestrutura energética sempre teve importância para além da atividade econômica.

Sistemas de geração e distribuição de eletricidade sustentam serviços essenciais, produção industrial e o funcionamento das cidades. Por isso, sua continuidade operacional é uma preocupação estratégica.

Ao longo de um século, a Henry Borden precisou atravessar mudanças políticas, econômicas e tecnológicas, mantendo sua relevância em um cenário muito diferente daquele em que foi concebida.

Essa longevidade não significa ausência de dificuldades. Significa que a infraestrutura passou por ampliações, adaptações, manutenções e mudanças nas condições de operação.

10. Um século depois: uma usina histórica que continua relevante

Chegar aos 100 anos de operação não é apenas um marco simbólico.

A Henry Borden continua sendo uma instalação de interesse estratégico para o sistema elétrico brasileiro.

Sua capacidade instalada de 889 MW representa um potencial expressivo de geração, embora a produção efetiva seja condicionada às regras de operação, à disponibilidade hídrica e às necessidades do sistema.

Uma característica especialmente importante é sua capacidade de partida autônoma, conhecida como black start.

Em termos simples, isso significa que a usina pode iniciar sua operação sem depender previamente de uma fonte externa de eletricidade, dentro das condições técnicas e operacionais necessárias.

Esse recurso pode contribuir para a recomposição do sistema elétrico em situações de perturbação ampla ou apagão, quando outras instalações precisam ser restabelecidas de maneira coordenada.

Em um país de dimensões continentais, com regiões distantes e diferentes fontes de geração, a capacidade de recuperação do sistema é tão importante quanto a geração de energia em condições normais.

A Henry Borden reúne, assim, duas dimensões de valor: o patrimônio histórico de uma obra centenária e a utilidade técnica de uma infraestrutura que ainda pode desempenhar funções importantes.

A idade, nesse caso, não elimina a relevância. Ela aumenta a responsabilidade de preservar, manter e modernizar.

11. A infraestrutura também envelhece: o desafio da modernização

Uma usina construída em 1926 não pode ser administrada hoje como era administrada em seu primeiro ano de funcionamento.

Ao longo de um século, os materiais sofrem desgaste, os padrões de segurança evoluem, os sistemas de controle mudam e as exigências ambientais se tornam mais complexas.

Manter uma estrutura como a Henry Borden exige inspeções, manutenção preventiva, substituição de componentes, atualização tecnológica e conhecimento acumulado por equipes especializadas.

A modernização não consiste simplesmente em trocar equipamentos antigos por novos.

É necessário compreender como cada componente se relaciona com o conjunto, como as alterações afetam a operação e como preservar a confiabilidade de uma instalação que possui características históricas e técnicas singulares.

Esse desafio é familiar a qualquer setor que dependa de ativos de longa duração: ferrovias, portos, rodovias, redes de transmissão, indústrias e centros logísticos.

O investimento inicial de uma obra é apenas uma parte de seu custo ao longo da vida útil.

Existe também o compromisso permanente de mantê-la segura, eficiente e compatível com as necessidades da sociedade.

Nesse sentido, o centenário da Henry Borden oferece uma reflexão importante para o Brasil: construir infraestrutura é fundamental, mas cuidar do que já foi construído é igualmente estratégico.

12. A lição para a logística e o Supply Chain

Para quem acompanha a logística e o Supply Chain, a história da Henry Borden apresenta paralelos interessantes.

Uma operação logística complexa não depende exclusivamente de caminhões, armazéns ou sistemas de gestão. Ela precisa de energia, telecomunicações, vias de transporte, fornecedores, manutenção e planejamento.

O mesmo princípio vale para uma usina hidrelétrica: sua eficiência depende da integração entre reservatórios, condutos, turbinas, geradores, sistemas de controle, equipes de operação e infraestrutura de transmissão.

Em ambos os casos, o resultado final depende do funcionamento coordenado de diferentes elementos.

A história também destaca a importância da visão de longo prazo.

O Projeto da Serra exigiu que seus responsáveis enxergassem além da demanda imediata por eletricidade. Foi necessário criar um sistema capaz de sustentar uma transformação econômica que continuaria por décadas.

Na gestão contemporânea, essa lógica se relaciona com planejamento de capacidade, gestão de ativos, análise de riscos, continuidade operacional e resiliência.

Uma organização que investe apenas para resolver o problema de hoje pode descobrir amanhã que sua infraestrutura se tornou insuficiente.

Por outro lado, um planejamento que considera cenários futuros, limitações ambientais e necessidades de manutenção aumenta as chances de produzir resultados duradouros.

A Henry Borden é um exemplo histórico de como a infraestrutura pode influenciar a trajetória econômica de uma região inteira.

E também é um alerta: nenhuma estrutura permanece relevante por cem anos sem adaptação, conhecimento técnico e decisões contínuas de gestão.

13. Mais do que máquinas: o legado dos trabalhadores

Ao falar de grandes obras, é comum destacar engenheiros, empresários, governantes e autoridades.

Entretanto, existe um elemento humano que merece atenção especial.

A construção e a operação da Henry Borden dependeram de trabalhadores responsáveis por atividades muito diferentes: escavação, transporte de materiais, montagem de equipamentos, manutenção, inspeção, operação e administração.

Foram pessoas que enfrentaram as condições de trabalho de seu tempo e contribuíram para transformar um projeto de engenharia em uma instalação real.

Depois da inauguração, outras gerações assumiram a responsabilidade de operar e preservar o complexo.

Cada manutenção, cada reparo e cada atualização tecnológica representam a continuidade de um conhecimento construído ao longo das décadas.

Uma infraestrutura centenária não é apenas um conjunto de estruturas físicas. É também um patrimônio de experiência profissional.

Preservar a memória da usina significa reconhecer aqueles que trabalharam em suas instalações, transmitir conhecimentos às novas gerações e valorizar profissões essenciais ao funcionamento da sociedade.

O legado de uma obra não está somente no que ela produz, mas também nas pessoas que ajudaram a mantê-la viva.

14. O que a Henry Borden nos ensina sobre o futuro?

O centenário acontece em um momento no qual a infraestrutura energética enfrenta novos desafios.

A eletrificação dos transportes, a expansão dos centros de dados, a digitalização da indústria, o crescimento do consumo e a integração de fontes renováveis aumentam a complexidade do planejamento energético.

Ao mesmo tempo, eventos climáticos extremos e mudanças no regime de chuvas reforçam a necessidade de administrar os recursos hídricos com responsabilidade.

Nesse cenário, instalações como a Henry Borden podem contribuir com experiência operacional, capacidade de geração e recursos importantes para a segurança do sistema, desde que respeitadas suas condições de operação.

O futuro não exige apenas construir novas usinas. Exige aproveitar melhor os ativos existentes, modernizar equipamentos, reduzir perdas, melhorar o planejamento e conciliar a produção de energia com outras necessidades da sociedade.

A história da Henry Borden também ajuda a lembrar que as grandes decisões de infraestrutura têm consequências por muitas décadas.

Uma obra concebida em uma geração pode continuar influenciando a vida de milhões de pessoas muito depois que seus idealizadores deixaram de participar de sua operação.

Essa é uma das maiores responsabilidades de quem planeja o desenvolvimento: pensar não apenas no resultado imediato, mas no legado que será entregue às próximas gerações.

15. Cem anos depois, a história continua

Em 1926, São Paulo precisava ampliar sua oferta de eletricidade para sustentar uma economia em rápida transformação.

Em 2026, a Henry Borden completa um século como testemunha de uma mudança extraordinária: o crescimento de uma cidade que se tornou metrópole, a consolidação de um estado industrial e a evolução de um sistema elétrico cada vez mais complexo.

A paisagem da Serra do Mar continua guardando as marcas desse projeto. Suas tubulações, instalações e estruturas técnicas contam uma história de ambição, conhecimento, trabalho e transformação.

Mas a maior homenagem que podemos prestar à Henry Borden não é apenas admirar o que foi realizado há cem anos.

É compreender por que a infraestrutura importa, reconhecer os profissionais que a construíram e a preservaram e refletir sobre a responsabilidade de preparar o país para os próximos cem anos.

O centenário também nos lembra que o desenvolvimento não acontece por acaso. Ele depende de decisões, investimentos, planejamento, conhecimento e capacidade de enfrentar problemas que nem sempre apresentam soluções simples.

A história da Henry Borden é a história de uma ideia que atravessou gerações e ajudou a criar condições para o crescimento de São Paulo.

Uma montanha, a força da água e a inteligência humana foram suficientes para iniciar uma transformação que permanece relevante um século depois.

Que os próximos cem anos sejam marcados por uma infraestrutura cada vez mais moderna, segura, sustentável e preparada para atender às necessidades da sociedade.

Uma homenagem à engenharia brasileira e a todos que fizeram parte dessa história

Neste centenário, o Blog Inocente’s presta homenagem aos trabalhadores, engenheiros, técnicos, operadores e profissionais que contribuíram para a construção, a operação e a preservação da Usina Hidrelétrica Henry Borden.

Que sua trajetória continue inspirando novas gerações a compreender que o verdadeiro desenvolvimento nasce quando conhecimento, planejamento e trabalho são colocados a serviço de um propósito maior.

Henry Borden: 100 anos transformando a força da natureza em parte da história de São Paulo.


Fontes para aprofundamento histórico

Blog Inocente’s | Gestão, Logística & Tecnologia

http://fabioinocente.blogspot.com





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